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Clarividência não é um dom

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Algumas pessoas dotadas de clarividência, das quais se diz vulgarmente “ter um dom”, na realidade, desenvolveram-no em vidas passadas. Assim, quando reencarnaram na vida atual, elas já o traziam na “bagagem”.

Obviamente que mesmo essas pessoas não se lembram de o ter desenvolvido em vidas passadas, porque muito raramente se lembram das suas vidas passadas sequer, dado que tal exige um nível de desenvolvimento de parapsiquismo bastante mais elevado, que não possuem no momento, na sua grande maioria.

Da mesma forma, se você se esforçar nesta encarnação atual para desenvolver essas capacidades psi, na próxima encarnação, você retornará à Terra já com elas desenvolvidas desde criança. Não é nenhuma dádiva divina! Não é Deus quem decide dar a quem Lhe aprouver determinada capacidade. Essa era a crença vigente durante dois milénios de catolicismo. E, infelizmente, ainda se mantém demasiado presente nas pessoas que não estudaram Espiritualidade.

Mas como surgíu essa crença? Simples! Do catolicismo que dominou uma boa parte do mundo ocidental durante dois milénios! Como o catolicismo prega que existe uma só encarnação, logicamente, os poucos clarividentes que nasciam com esta capacidade ou “dom” acordado, eram já subjugados pelo condicionamento social e religioso desde tenra idade, no que tange às suas crenças católicas.

Existiam, em suma, 4 opções para essas pessoas:

  1. Serem vistas pela população como seres especiais, mais elevados que os restantes, a quem Deus tinha ortorgado um dom, pois que outra explicação haveria se não sabiam que existiam vidas anteriores à atual, nas quais tinham desenvolvido os seus “músculos parapsíquicos”!
  2. Serem vistas como bruxos e bruxas, isolados socialmente, tratados como se fossem portadores de lepra no século XVI, excomungados pelo clero e, não raras vezes, condenados a suplícios em autos-de-fé no Rossio, em frente à Igreja de São Domingos, em Lisboa, dignos de fazer inveja à imaginação delirante de um psicopata masoquista.
    A sua condição social na hierarquia da sociedade era comparável à de prostitutas e mendigos. Hipocritamente, como sempre, muitos clientes, provenientes de diferentes estratos sociais, usufruíam dos serviços desses clarividentes, porém, fingiam que não os conheciam quando, por eles, passavam na rua, não lhes oferecendo nem um simples aceno de cortesia à pessoa que no dia anterior lhes tinha dado as ervas que salvariam a vida de seu filho febril, as tinha demovido da ideia de suicídio pela traição recente da esposa adúltera, ou ainda, encaminhado o espírito do avô obsessor para a Luz, quando este procurava vingança após o seu desencarne…
  3. Serem vistas como portadores de doença mental, alucinados de toda a espécie, onde eram maltratados pelas famílias em cujo seio nasciam, para anos de frustração mais tarde, na Idade Média, serem deixados em instituições para “loucos”, pois não compreendiam as suas visões e as vozes nas suas cabeças.
  4. Optarem pelo sigilo máximo quando percebiam que os outros tinham crenças que poderiam levar a comportamentos hostis. O sábio silencia quando o louco fala. Esta opção poderia ser dedicarem-se ao estudo de obras espiritualistas, se sequer tivessem tido a oportunidade de aprender a ler, não esquecendo que a grande maioria da população europeia – o povo – não sabia ler, nem escrever, havendo até alguns membros da baixa Nobreza que também não o sabiam, ficando assim, privados do conhecimento dos poucos livros espiritualistas e esotéricos que havia na altura da Idade Média, alguns ainda escritos em grego, latim e árabe.
    Poderiam ter de viajar grandes distâncias para encontrar mentores que os pudessem ajudar a desenvolver o seu parapsiquismo, aderirem a ordens secretas ou escolas de mistérios que lhes pudessem oferecer o conhecimento que hoje está facilmente disponível em cursos online no Hotmart, no Udemy e em outras plataformas EAD.
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