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Origem e história do Reiki

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Origem e história do Reiki

O Reiki surge no Japão, durante a era Meiji (regime iluminado), por intermédio do doutor Mikao Usui nascido a 15 de Agosto de 1865. A era Meiji caracterizou-se por uma abertura da sociedade japonesa ao Ocidente com o objetivo de recuperar o atraso industrial em que o país estava mergulhado após um período dominado pelo sistema feudal durante 256 anos cujo governo estava entregue ao Xogunato Tokugawa (uma ditadura militar feudal em que o líder era o Xogun que significa Grande General).

Assim, com o objetivo de se modernizar, o Japão abríu os seus portos, importou técnicas industriais ocidentais, tornou a sua economia mais aberta e livre, abrindo as portas ao capitalismo que haveria de transformar o Japão numa potência mundial no início do século XX. Com a abertura económica, veio também uma abertura a novas ideias trazidas do exterior, assistindo-se a um retorno do interesse pelo Cristianismo quando os missionários cristãos regressaram o que aumentou ainda mais os caminhos religiosos e de evolução espiritual existentes dado que a tradição xintoísta e budista já estavam instaladas.

O doutor Mikao Usui, por exemplo, adoptou o cristianismo como sua religião e tornou-se sacerdote cristão tendo depois ascendido à categoria de deão de uma pequena universidade cristã em Kyoto. Deão ou decano é o nome que se atribui ao responsável máximo de uma instituição de ensino da Igreja.

Durante uma discussão com os seus alunos, um deles perguntou a mestre Usui se ele interpretava os ensinamentos bíblicos de forma literal, o que Usui confirmou, tendo de seguida sido questionado acerca das cura milagrosas de Cristo Jesus bem como as suas palavras:

“Aquele que crê em mim fará as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas (…).” (João 14:12-14)

O aluno inquiríu Usui sobre como explicava aquela afirmação uma vez que já não se acreditava ou, pelo menos, se tinha conhecimento de haver curadores em todo o mundo que fossem capazes dos mesmos feitos. Jesus ordenara também aos seus apóstolos que curassem as doenças e ressuscitassem os mortos. Pediram-lhe “Se assim é, por favor, ensine-nos o método”.

Mikao Usui, ao aperceber-se de que não dispunha da resposta ao seu estudante, demitíu-se e foi procurar a resposta, dado que segundo o código de honra japonês, um deão deverá saber as respostas a todas as questões que os seus alunos colocarem. Por esta atitude humilde de Usui, se começa já a perscrutar na nossa mente o seu grande carácter de buscador da Verdade e mestre.

Sendo que Usui houvera recebido a instrução cristã por parte de missionários americanos e tendo em conta que o Cristianismo era a religião vigente nos Estados Unidos, ele decidíu viajar até aos Estados Unidos em 1898 e iniciar as suas pesquisas no seminário de teologia da Universidade de Chicago onde viria a realizar o seu doutoramento mais tarde, onde apesar do longo tempo dedicado, não pôde colher ainda os frutos de suas investigações. Sabendo, de igual forma, que também Buddha, tivera operado curas milagrosas para além dos seus profundos e intemporais ensinamentos à semelhança do Cristo, resolveu-se a pesquisar o Lótus da Boa Lei em japonês, dado que as crónicas que relatavam os milagres de Cristo eram escassas e que a maioria se perdeu no decorrer dos séculos.

O Lótus da Boa Lei (Saddharma Pundarika Sutra) consiste num conjunto de ensinamentos escritos por filósofos indianos em sânscrito já depois da passagem de Buddha, escrito entre 100 A.C e 200 D.C. É considerado uma das mais importantes escrituras do Budismo Mahayana onde se ensina que cada pessoa tem a capacidade de se tornar iluminado.

Usui regressou ao Japão, tendo passado por diversos mosteiros budistas com o objetivo de recolher alguma informação sobre a sua busca embora tenha ficado desiludido várias vezes por, nesses mosteiros, terem referido que naqueles dias interessavam mais as curas de natureza espiritual que as de origem física, emocional ou mental, isto é, que se deveria focar apenas na transformação da consciência das pessoas e não no seu estado físico, emocional ou mental.

Após alguns desânimos, ingressou num mosteiro da tradição Zen onde finalmente o encorajaram a prosseguir na via da busca para as doenças do corpo físico embora reconhecessem que a busca da solução dos problemas espirituais fosse prevalecente naquela época. O líder do mosteiro Zen que o acolheu, declarou que tendo as curas físicas sido realizadas numa época, certamente haveriam de ser possíveis em qualquer outra época de igual forma tendo, por isso, convidado Usui a continuar as suas pesquisas no seu mosteiro. o que lhe suscitou novo ânimo no estudo dos sutras em japonês.

Em seguida, mestre Usui aprendeu chinês com o objetivo de estudar os sutras chineses e sânscrito para estudar os sutras tibetanos embora este esforço não tivesse sido compensado com resultados efectivos até ao momento. Após ter constatado a sua ausência de resultados, prosseguiu a sua busca viajando ao norte do Tibete. No domínio do sânscrito, aproveitou essa facilidade para viajar até à Índia e continuar suas pesquisas. Tendo concluído o estudo de todos os sutras tibetanos, houvera um manuscrito em particular, escrito em sânscrito, pertencente a um praticante budista que continha 4 símbolos sagrados usados por Buddha na cura e remissão das doenças. No entanto, Usui percebeu que sem a informação sobre como aplicar esses símbolos e a sua devida activação, não estava ainda na posse da técnica de cura.

Consciente do seu importante avanço na busca, encontrou-se novamente com o sacerdote do mosteiro Zen que o tinha incentivado e, juntos em meditação, chegaram à conclusão de que Usui deveria partir para o monte Kurama, uma montanha de 584 metros de altitude considerada sagrada, localizada a 25 Kms a noroeste da cidade de Kyoto, a fim de praticar jejum e meditação durante 21 dias.

Esta iniciativa, que decorreu em Março de 1922, é semelhante à iniciativa de muitos índios americanos que partem para uma montanha sagrada a fim de receberem alguma visão ou revelação do Divino. Mikao Usui, de posse apenas dos sutras tibetanos que tinha encontrado e de um cantil de pele de cabra com água, juntou 21 pedras que lhe permitiriam contar os dias do seu retiro espiritual e permaneceu sentado, perto do topo da montanha, num local chamado Osugi Gongen, à beira de uma grande árvore sagrada (kami) da qual é dita ser a encarnação do deus Mao-Son (‘o Grande Rei dos Conquistadores do Mal e do Espírito da Terra’).

Através da prática do jejum absoluto, da meditação, da contemplação, do silêncio, da oração fervorosa, da entoação de cânticos e da leitura de sutras, Mikao Usui entrou num estado de consciência aumentado e na véspera do 21º dia, de madrugada, em noite de Lua Nova, procurou tacteando com sua mão a última pedra. Sendo que até aquele momento, nada de extraordinário tinha acontecido, eis que, de repente, Usui observa uma intensa luz branca que cresce na sua direção à medida que se aproxima e que o atemoriza inicialmente. Recuperando do estado inicial de ansiedade, convence-se que aquela luz é o sinal tão aguardado e que não deverá deixar que o medo se apodere dele e o afaste do seu propósito. Renunciando a qualquer medo, entregou-se e pensou ter passado para o mundo espiritual quando a luz que se aproximava rapidamente o atingíu finalmente em plena testa, projectando-o para fora do corpo físico.

Foi então que num estado ampliado de percepção extra-sensorial, pôde assistir à dança de milhares de bolas às cores, diante de seus olhos, contendo no seu interior, cada uma delas, um carácter sânscrito em dourado e a três dimensões. Os símbolos foram apresentados um a um, de forma que Usui pudesse registar a sua forma bem como o seu significado e a forma de como os usar. Dessa forma, Mikao Usui recebeu a iniciação directamente da Fonte bem como os ensinamentos de como passar o poder do Reiki a outras pessoas.

As primeiras curas com o Reiki

Usui recebeu, de igual forma, o conhecimento do significado dos símbolos de Reiki e de como os aplicar tendo saído do transe, completamente inundado de um estado de graça e gratidão, sentindo-se estranhamente revigorado e pleno de energia apesar de estar há 21 dias consecutivos em jejum. Entusiasmado, levantou-se para começar a descida da montanha. O facto do mestre Usui se ter sentido completamente restabelecido em termos energéticos e físicos constitui o primeiro resultado visível da energia Reiki.

Com a vontade imensa que Usui trazia consigo de partilhar o mais rapidamente esta técnica de cura com o mundo, ao descer a montanha, tropeçou numa pedra, ferindo um dedo do pé que começou a sangrou e a doer bastante. Usui impôs então suas mãos sobre o pé ferido e a hemorragia estancou muito rapidamente e a dor desapareceu sendo este o segundo resultado da cura com o Reiki.

No caminho de regresso para o mosteiro, Mikao Usui passou por uma estalagem onde o estalajadeiro observando o seu aspecto de monge e adivinhando, pelo aspecto e tamanho da sua barba e pelo estado das suas roupas, que se tratava de alguém que saía de um longo período de jejum, recomendou-lhe uma sopa como refeição leve dado que pode ser perigoso quebrar um longo período de abstinância com um lauto almoço. Usui recusou e insistíu numa refeição pesada. Comeu e não teve qualquer sinal de indigestão. Esse foi o terceiro resultado do Reiki.

Antes de partir, Usui percebeu que a neta do estalajadeiro que havia servido como sua empregada de mesa se encontrava acometida de uma terrível dor de dentes. O avô, de parcos recursos económicos, não tinha dinheiro para a levar a um dentista a Kyoto. Usui oferecendo-se para a ajudar, tocou no rosto da jovem do lado que lhe doía e a dor cessou passado muito pouco tempo tendo sido alcançado o quarto resultado visível da cura com o Reiki.

Após uma caminhada de 25 Kms, Usui chegou ao mosteiro onde encontrou o seu amigo e mestre Zen, sofrendo de uma crise de reumatismo, uma doença da qual se via acometido há vários anos. Enquanto Usui relatava ao seu amigo monge as suas descobertas aplicou-lhe um tratamento de Reiki sobre as áreas afectadas o que resultou numa diminuição profunda da dor até esta desaparecer o que deixou o sacerdote bastante supreendido. Tendo Usui pedido conselho ao seu amigo, este aconselhou-o a continuar a meditação. Após a permanência de algumas semanas no mosteiro e madura reflexão, Usui tomou a decisão de iniciar a divulgação do Reiki, tendo como ponto de partida a oferta de curas aos mendigos dos bairros pobres de Kyoto pensando que se eles fossem recuperados fisicamente, tal lhes permitiria receber um novo nome no templo e serem reintegrados na sociedade de uma forma produtiva e digna.

Assim, iniciaria o seu trabalho com os mais marginalizados pela sociedade e que não tinham recursos para pagar pela sua saúde. Começou pelos mais jovens e que tinham mais capacidades e após os tratar, ordenou-lhes que arranjassem trabalho na cidade para que pudessem evoluir a sua qualidade de vida. Repetíu o processo com os mais velhos aconselhando-lhes o mesmo para que não voltassem a ganhar a vida através da mendicância. Tendo alcançado resultados bem-sucedidos e, em muitos casos, recuperações completas, Usui prosseguíu calcorreando ruas repletas de enfermos e rejeitados da sociedade.

Usui compreende a importância da troca

Contudo, anos mais tarde, após o início do seu trabalho voluntário de cura dos mais desfavorecidos, começou a reparar em diversos rostos familiares de pessoas que tinha curado há muito tempo atrás tendo-lhe chamado à atenção o caso de um homem que já havia passado pelas suas mãos:
Parece-me que já nos conhecemos – disse-lhe Usui.
Com certeza, respondeu aquele, eu fui um dos seus primeiros casos de cura. Recebi um novo nome, a seguir encontrei trabalho e até me casei. Mas não consegui fazer face às responsabilidades. A vida de mendigo é muito mais fácil.

Usui encontrou diversos casos semelhantes e entristeceu-se. Compreendeu, finalmente, que doar Reiki indistintamente, para pessoas que não valorizavam a energia e não aproveitavam a preciosa oportunidade que Deus colocava nas suas mãos para se reerguerem e melhorarem a sua vida, apenas servia para reforçar os seus maus hábitos e suas vidas destituídas de esperança, vontade de trabalhar, de evoluírem e de contribuírem para um mundo melhor, preferindo, por isso, entregarem-se ao ócio e ao tédio de uma vida destituída de sentido para si mesmos.

Mikao Usui compreendeu que, a par de lhes doar energia de cura, deveriam receber também o conhecimento e a prática dos princípios de gratidão e responsabilidade. Desolado, Usui reparou que o esforço empreendido durante tanto tempo da sua vida, a estudar, a pesquisar, a descobrir e a praticar e doar energia, não estava a ser suficiente para que as pessoas que tinham recebido a dádiva do Reiki, prosseguissem as suas vidas com maior apreciação e vontade de crescerem nos diversos níveis da vida de um ser humano bem como aqueles que estão ao seu redor.

Foi então, para corrigir o erro cometido, que Usui instituíu uma troca de energia para que as pessoas valorizassem aquilo que recebiam compreendendo que todo o acto recebido quando em contrapartida de algo, ajudaria a que o receptor da energia atribuísse mais valor aquilo que recebia e, com isso, também melhoria a sua atitude em relação à importância da sua saúde e, consequentemente, da sua vida.

O estabelecimento dos 5 Princípios do Reiki

Foi neste momento que Usui estabeleceu os 5 Princípios do Reiki e abandonou o seu trabalho de voluntariado com os mendigos para se dedicar ao ensino daqueles que desejavam compreender como poderiam também eles tornarem-se canais desta energia, curando a si mesmos e aos outros, e espalhando o poder e a palavra do Reiki. Usui passaria então a ensinar os seus discípulos sobre como harmonizar os seus corpos energéticos, curando o seu corpo e harmonizando a sua mente de forma que pudessem conduzir a sua vida com maior alegria, gratidão e sabedoria, aumentando a sua energia e assumindo responsabilidade pelo seu estado físico, emocional, mental e espiritual.

Usui andou peregrinando por todo o Japão, convidando todos a assistirem às suas palestras sobre esta técnica de cura tendo sido condecorado pelo Imperador do Japão como retribuição pelo mérito alcançado no seu esforço e dedicação aos ensinamentos praticados com os ideais do Amor e da Sabedoria.

Em 1925, mestre Usui conduzíu um Curso de Mestrado em Reiki, tendo sido aí formado um dos seus mais devotos discípulos – o Dr. Chujiro Hayashi. Antes de falecer, mestre Usui deixou aproximadamente 17 mestres de Reiki para que continuassem a divulgar os ensinamentos e formassem novos terapeutas e mestres de Reiki.

Mikao Usui, casado com Sadako Suzuki e com um filho e duas filhas, faleceu em 9 de Março de 1926 (terça-feira) aos 60 anos de forma abrupta após ter contraído uma doença.

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