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Distinguir ilusão amorosa de amor

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Distinguir entre amor e ilusão amorosa

Distinguir entre amor e ilusão amorosa

Distinguir um amor verdadeiro de uma ilusão amorosa pode representar em si mesmo um processo bastante longo de tomada de consciência ao longo de semanas, meses, anos, décadas ou até mesmo uma vida inteira.

Para além disso, é fundamental conhecer as características de uma e de outra e uma das formas mais cabais de o fazer é a própria experiência de vida. Desde cedo, o ser humano é confrontado com histórias românticas que começam a preencher o seu subconsciente desde que este tem aproximadamente 3 anos de idade. Nesta idade, a sua mente absorve informação com a mesma potência com que um buraco negro absorve a matéria e a luz. Aos 3 anos de idade, as crianças, cujas ondas cerebrais predominantes são as ondas theta (4 a 7 Hz), encontram-se com uma capacidade de aprendizagem tão rápida que nunca mais voltarão a ter ao longo da sua vida, semelhante capacidade de acumular tanta informação. Para além de estarem a aprender tudo o que faz parte da sua relação com o mundo, também são sugestionadas por diversos contos infantis que vão preencher a sua imaginação de imagens belas sobre o amor e a vida afectiva.

Elas irão vibrar com os contos de fadas em que a mulher é sempre bela e cheia de predicados morais elevados bem como o seu príncipe encantado. Na primeira infância, a capacidade de sentido crítico – o mecanismo de censura – que actua como porta entre a mente consciente e subconsciente, ainda não está desenvolvida. Como a imaginação é uma tarefa desempenhada pela mente subconsciente e não se desenvolveu ainda um divisor de águas entre a mente consciente e subconsciente, as crianças são normalmente muito criativas, imaginativas, com tendência a criar imensas histórias e mitos dentro de si mesmas. Conseguem, por conseguinte, trazer muito mais facilmente a informação do seu subconsciente para o consciente que os adultos.

À medida que as crianças crescem e se tornam adultos no mundo real, vão aprendendo que a vida romântica, plena de cores amorosas de verde-vida, rosa-amor ou azul-bebé, com que se entretiveram para seu próprio deleite interior numa redoma mental à qual somente as próprias criadoras têm acesso, simplesmente, não existe. Ou melhor, ela é proporcional às lições que a Alma/Eu Superior delas escolheram aprender através dos contratos de relações amorosas – kármicas ou dhármicas – que estabeleceram com seus parceiros e parceiras.

Porque os seres humanos têm necessidade de criarem histórias mentais nas quais se revêem como o príncipe ou a princesa encantada dos contos de fadas, quando a realidade da sua vida amorosa externa revela exatamente o oposto dessas ilusões em que teimam embrenhar-se contra todas as evidências? A resposta é obviamente o evitamento do sofrimento do contacto com a realidade. No entanto, ao evitar sentir e vivenciar a realidade tal como ela é, criando mitos e fábulas interiores, perdem uma grande oportunidade de evolução espiritual.

As pessoas vivem e convivem com os seus parceiros e parceiras amorosos ou vivem antes com uma imagem recriada desses mesmos parceiros que nem sempre corresponde à realidade? E o que acontece quando as máscaras caem? Será que as relações continuam ou transitam para o parceiro ou parceira seguinte porque a relação chegou a um ponto onde não é mais possível usurpar o lugar da verdade com o lugar das ilusões amorosas com que banqueteiam a sua mente enquanto seu coração permanece faminto?

À medida que as relações avançam no tempo, os participantes conhecem-se a si mesmos. As relações servem não apenas para estabilidade emocional mas também para crescimento interior o qual não está isento de sofrimento, dado que praticamente ninguém actualmente encarnado corresponde a seres evoluídos já libertos do karma e, por conseguinte, da roda das reencarnações, mas sim a 7500 milhões de seres humanos a vivenciarem mais uma de suas 200 ou 300 encarnações, tentando aprender as respectivas lições na escola de almas do planeta Terra.

As relações amorosas servem para espelhar os nossos comportamentos no outro para que possamos aprender como somos nós. Usamos um espelho para nos pentearmos de manhã porque não conseguimos ver o nosso próprio cabelo. Da mesma forma, estabelecemos um relacionamento amoroso com outra pessoa, para conhecermos os nossos próprios defeitos e virtudes e os trabalharmos.

Jamais um ser humano deverá culpar o parceiro ou parceira pela sua infelicidade amorosa. Apenas o próprio é responsável por si mesmo. Caso o faça, estará a perder uma gloriosa oportunidade de tomada de consciência sobre si mesmo. Equivale a rejeitar um cupão de desconto no supermercado dado que essa pessoa, jactantemente, se considera rica e não necessitada de qualquer desconto (ou seja espiritualmente consciente fazendo a analogia), e portanto, considerará que a falha da relação não está em si mesma mas fora de si, eventualmente, no seu parceiro ou parceira.

A força de uma relação amorosa não se vê pela forma como ela cai, porém, pela forma como se levanta após a queda, não uma, duas ou três vezes apenas, mas tantas vezes quantas se fizerem necessárias para aprendizagem da lição proposta pela Alma dos envolvidos.

Cenários possíveis de queda numa relação

1. A relação termina e os companheiros seguem, cada um, para uma relação com novo parceiro e parceira, porém carregam as ilusões interiores da relação anterior para a relação seguinte. Dessa forma, geram um padrão repetitivo nas suas relações dado que sempre que surge um problema na relação, em vez de se trabalharem e reflectirem sobre si mesmos, tendem a ir pelo caminho mais fácil e simples a curto prazo que consiste em terminar a relação sem ter aprendido a lição ou, numa análise mais pessimista, auto-convencerem-se que sabiam qual era a lição e que já a aprenderam.

Tendem a considerar-se vítimas do parceiro ou da parceira e esperam, em vão, que a próxima relação seja diferente apenas porque mudaram de parceira ou parceiro.
Em geral, em breve, estarão a vivenciar o mesmo padrão de problema, porém com um actor/actriz diferente na sua peça.

Neste primeiro cenário, a pessoa está demasiado apegada às suas convicções românticas do que significa estar num relacionamento amoroso bem como aos seus mitos interiores e ilusões e, sempre que a realidade ameaça essa ficção auto-criada, terminam a relação para os protegerem e continuarem a validar.É facilmente compreensível que a ficção prazeirosa com que o ser humano experiencia a sua vida dentro da sua própria mente seja mais apetecível por vezes que a realidade, daí o mecanismo de fuga.

2. A relação não termina, porém, um ou ambos os intervenientes vão buscar a representação interna de uma pessoa externa (amante) para se alimentarem mentalmente e, assim, poderem ter ânimo para continuar uma relação que, para um ou ambos, é insuficiente no que tange à satisfação das suas necessidades e aspirações afectivas.
Assim é que, muitas vezes, uma paixão secreta ou relação no plano astral de uma pessoa comprometida com um(a) amante é, paradoxalmente, o que sustenta a estabilidade de uma relação. A mente vai buscar compensar as necessidades do coração nem que para tal tenha de criar ilusões.

Não obstante, se a relação terminar com o(a) parceiro(a) oficial e se iniciar, em seguida, com o(a) amante para dar cumprimento corpóreo às expectativas, o padrão tenderá a repetir-se.Num exemplo mais concreto, se o parceiro ou a parceira têm uma relação física oficial com uma pessoa mas mantêm uma relação mental com outra (amante, por vezes, um(a) ex-companheiro(a)), quando trocarem de parceiro(a), terão necessidade de outro amante. Tal significa, que a chave de um relacionamento amoroso bem-sucedido não está necessariamente na escolha do(a) parceiro(a) certo(a) mas sim no trabalho interior de auto-crescimento e burilamento das próprias fraquezas morais.

3. A relação não termina e ambos os parceiros assumem total responsabilidade pela forma como a mesma se desenrola, nas suas facetas positivas e negativas, adoptando uma postura pro-activa concernente ao seu desenvolvimento pessoal, compreendendo em profundidade que toda e qualquer relação será sempre o espelho do seu próprio interior.

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