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Lei do Não Apego

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Não apego significa verdadeira liberdade. Não é liberdade que o leitor procura? Pois saiba que somente com distanciamento em relação aquilo que constitui o objeto do seu desejo poderá deixar o Divino fazer o seu trabalho para lhe trazer aquilo que deseja. Enquanto o Homem não compreender que é necessário soltar as amarras das suas expectativas em relação a algo a que está apegado, jamais será livre. Será sempre um escravo dos seus desejos.

O ser humano luta com a dicotomia de dois valores fundamentais – a segurança e a liberdade. Deseja ardentemente preencher tanto um quanto outro na sua vida. No entanto, imensas vezes, confunde os dois. Por exemplo, em relação ao dinheiro. O caro leitor deseja certamente ter dinheiro. Como poderia, de outra forma, assegurar a sua sobrevivência? Poderá argumentar que precisa de dinheiro para se sentir seguro. No entanto, a sua falta de fé no Divino poderá fazer com que sinta que todo o dinheiro que conseguir amealhar nunca será suficiente para se sentir seguro. Poderá argumentar que não sabe as surpresas do dia seguinte, do mês seguinte, do ano seguinte, da década seguinte, e por conseguinte, necessita de estar «seguro». Essa necessidade infinita de segurança esconde, no entanto, crenças limitantes mais profundas.

Esconde, por exemplo, a falta de fé no Divino. Quanto menos fé a pessoa coloca no Divino, mais ela acha que tem que amealhar pois considera que o Divino não irá fazer a sua parte e que tudo, inteiramente tudo, depende dela. Quanto menos fé, mais trabalho a pessoa terá de empreender para compensar. Tornar-se-á um escravo do trabalho. Considerará que nunca será suficiente. Começará a amealhar para construir a sua casa, para ter dinheiro para a faculdade dos seus filhos, para comprar um carro, para construir uma piscina, para criar a sua própria empresa, para investir em certificados de aforro, contas-poupança e contas-reforma para assegurar a sua sobrevivência na velhice, para pagar a conta do lar dos seus pais, para fazer uma viagem entre um mar infinito de outros desejos.

Provavelmente, estará até convencido de que quando tiver realizado alguns dos seus desejos, «irá acalmar», irá eventualmente «descansar em paz», tendo a sensação de missão cumprida. No entanto, a insegurança continuará consigo, como sua fiel companheira, pois procurou apenas satisfazer a sua cadeia insaciável de desejos externos na busca inútil de silenciar a voz que grita na sua consciência. O que procura essa voz? Porque tem tamanho poder sobre si? Procura sentir-se segura pois sente-se separada da Fonte e não acredita que a Fonte proverá todas as suas necessidades. Essa voz ouvíu, por via da religião, milhares de vezes, a frase do Cordeiro quando este afirma «Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas» (Mateus 6:33), no entanto, não confia na promessa de Cristo. Trata-se de um não-crente em termos espirituais – uma pessoa que não confia nessa frase que lhe parece inexequível, distante da realidade do Homem comum. Esse não-crente irá fazer tudo para buscar primeiro as coisas que lhe seriam acrescentadas e, só depois, se houver tempo suficiente antes de terminar a encarnação atual, dedicar-se à busca das coisas do mais elevado.

Essa pessoa está firmemente comprometida com o paradigma da Dualidade e do Materialismo. Ela acredita-se separada da Fonte. Ela não sabe que ela e a Fonte são Um só. Ela acredita que só se pode ter uma coisa ou outra. Este é o raciocínio lógico de uma pessoa que vive ainda no paradigma da Dualidade e que desconhece o que significa viver no paradigma da Unidade. Viver no paradigma da Unidade significa que, ao sentir-se verdadeiramente Uno com o Divino, poderá manifestar todos os seus desejos sem esforço algum, contanto, que não se apegue à expectativa dos resultados, significa sentir-se verdadeiramente alegre e satisfeito como se eles já tivessem sido atingidos.

Na frase «Mas buscai primeiro o Reino dos Céus», o leitor poderá ver assomar à sua mente. as ideias de sacrifício pessoal e de sofrimento. No entanto, ao raciocinar-mos de forma lógica poderemos descobrir o absurdo de tal pensamento ao fazermos a seguinte interrogação – o que é o Reino dos Céus? Será que o leitor imagina que o Reino dos Céus é um lugar específico? Alguns religiosos da tradição judaico-cristã poderão pensar que se trata realmente de um lugar específico no espaço, ainda que em outro plano ou dimensão de frequência vibratória superior. Na realidade, aquilo a que o Divino Mestre se referíu, não diz respeito a um lugar localizado algures no espaço-tempo mas sim, a um estado de consciência que pode ser atingido, independentemente da localização do leitor no espaço-tempo. Ora, se o Reino dos Céus é um estado de consciência, porque razão, para atingirmos tal estado de alegria, paz interior e pleno contentamento, vibrar com sentimentos de tristeza, frustração ou medo, os quais estão geralmente associados ao sacrifício pessoal e ao sofrimento, faria com que o leitor atingisse mais rapidamente o Reino dos Céus? Não é antagónico? O que lhe diz o seu coração sobre isso?

Daí resulta que o Reino dos Céus, enquanto estado de consciência, pode ser mais facilmente atingido se o leitor vibrar em sentimentos de paz, alegria e plena satisfação, isto é, com sentimentos e emoções positivos. Concluímos assim que se cumprirmos com a primeira parte de «buscarmos primeiro o Reino dos Céus», isto é, permanecermos em um estado de alegria, gratidão e paz, facilmente, nos será concedida a segunda parte de «todas estas coisas vos serão acrescentadas». «Estas coisas todas» são referentes ao objeto de desejo de ter carro, casa, piscina, dinheiro para viajar, namorada ou namorado, filhos, empresas, cura de doenças, sabedoria, prestígio, fama, títulos académicos entre milhares de outras coisas que o leitor possa ter em mente.

Algo bastante importante também deverá ser considerado. Deus não julga o mérito dos desejos. Quem ensinou que Deus julgava foram as religiões. Durante milénios, o comum dos mortais (na realidade, imortais em espírito embora não na carne) acreditou e, uma boa parcela ainda acredita, que o Criador julga os espíritos encarnados e desencarnados com base nas suas virtudes e defeitos. Esquecem-se de algo extremamente importante – os espíritos não são mais do que consciências individualizadas do próprio Criador. Se o Criador fosse julgar os espíritos, Ele estaria a julgar-se a Si mesmo, ou melhor, às partes individualizadas de Si mesmo. O Criador de Tudo o que É não julga. Apenas ama. O Criador ama toda a Criação com amor incondicional. Amor incondicional pressupõe não-julgamento. Apenas vivendo no paradigma da Unidade, podemos praticar o não-julgamento. Quando estamos em Unidade, amamos incondicionalmente e quando amamos incondicionalmente, não julgamos. Um exemplo disso foi Jesus quando se absteve de julgar a mulher apanhada em flagrante adultério e trazida à Sua presença pelos escribas e fariseus. Esse ensinamento de não-julgamento quando Ele, virando-se para a infractora, afirma «Nem Eu te condeno» expressa o estado de Amor Incondicional em que se encontrava Jesus.

Seja Um com aquilo que deseja

No paradigma da Unidade, toda a manifestação de pensamento pelo leitor será realizada de forma espontânea e sem esforço. Quando o leitor está em Unidade, está já uno com o seu objeto de desejo. Como está uno com o objeto de desejo, não deseja mais. Porque desejar algo que já se possui? No entanto, há que ter em consideração que embora ainda não tenha realmente satisfeito o seu desejo, deverá sentir-se como se já o tivesse conseguido. O grande poeta Fernando Pessoa ilustra de forma perfeita essa constante ambição do ego humano de experienciar algo que não possui ou conhece no poema Não quero rosas, desde que haja rosas:

«Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.

Para quê?… Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria…
Ah, com que esmola a aquecerei?…»

Um ser humano, vivente segundo o paradigma da Dualidade, limita-se a sentir sua alma seranzando pela seara estéril dos desejos do ego, tentando colher em vão, o fruto da segurança que teima em não chegar. Essa «alma pobre e fria» apenas se pode aquecer no sentimento de Unidade com a Fonte. Chegado a esse estado, todo o desejo egóico se extingue. Antes disso, enquanto se mantém preso ao paradigma da Dualidade, no qual se enxerga separado do Todo, vai saciando alguns desejos correspondentes a meras esmolas, se considerarmos a perspectiva superior da Centelha Divina.

O Todo corresponde ao não-manifesto procurando manifestação num campo infinito de possibilidades. Tudo o que existe em acto, é uma manifestação concreta de algo que existia em potencial e que foi colapsado por uma consciência que desejou.

Cada desejo que o ser humano tem origina-se no ego. O ego deseja algo pois sente que lhe falta algo para se sentir preenchido. O ego sente-se mal com essa carência de algo, com essa ausência de realização e vai tentar, de todas as formas, saciar toda uma corrente de desejos – casa, família, dinheiro, relacionamentos, saúde, aspecto físico entre outros – para atingir um sentimento que não pode atingir enquanto não se render e deixar o Todo trabalhar através de si.

Por essa razão, o leitor pode já ter experienciado na sua vida, uma frustração de espera, activa ou passiva, de vários anos até ter um desejo atendido. Na realidade, o desejo não demorou vários anos até se realizar. O que demorou vários anos foi o ego do leitor a sair do caminho para deixar o Todo manifestar o desejo. O desejo pode ser realizado de forma instantânea pelo Todo. É tão fácil ao Todo manifestar uma moeda de euro no seu bolso quanto manifestar um planeta composto de diamante1. O esforço é exatamente o mesmo. O ser humano procura tornar-se aquilo que já é. O ser humano, ignorante da sua natureza divina e capacidade de co-criação, deseja criar sozinho, separado do Todo. Na realidade, a separação é impossível pois o Todo, a Fonte, está em toda a parte e é tudo o que existe. Como o ser humano existe, a Fonte tem de, logicamente, também existir nele. No entanto, o ego confere-lhe a ilusão de estar separado de tudo e todos. O ego define os limites de um ser humano, dá-lhe a noção de fronteira entre o «eu» e os outros. Não fosse o ego, o ser humano não teria limites, dado que a Fonte que habita nele não conhece limites para aquilo que pode manifestar. Os milhares de milhões de galáxias existentes neste Universo local são a prova cabal de que não há limite do poder criativo da Fonte. Acaso, o caro leitor duvidaria que existisse alguma dificuldade ou o mínimo esforço ao Criador, para lhe manifestar um carro, uma casa, um relacionamento, a cura de uma doença ou qualquer outra coisa que seja um desejo seu, quando esse mesmo Criador, é na realidade, autor de milhares de milhões de galáxias, com milhares de milhões de estrelas cada uma?

Acreditar na dificuldade do Criador de realizar o seu desejo, seja ele qual for, seria comparável a acreditar que um elefante africano adulto teria dificuldade para esmagar um amendoim debaixo da sua pata.

A ironia do desejo

Quanto mais intensa é a ligação ao resultado do nosso desejo, menor a capacidade de o realizar. Gregg Braden2 em A Matriz Divina afirma que:

«À medida que amadurece o nosso estado de consciência, no qual sabemos que podemos alterar a realidade, parece igualmente tornar-se menos importante fazê-lo.»

Muitas vezes, as pessoas questionam, sem entender, a Lei do Não Apego, porque as suas orações ao Criador pela cura dos seus familiares doentes foram ineficazes. A razão é devida precisamente ao desespero em que as pessoas fazem as suas orações. A emoção de desespero (implica falta de esperança, por outras palavras, falta de fé) quando acompanha uma oração ao Criador, a algum santo, a Jesus, Mãe Maria, a Ganesha, Buddha, Swami Vishwananda entre outros mestres iluminados, tem implícita uma dependência muito forte em relação a assistir ou provocar a cura. Esse tipo de orações fervorosas, envolvidas em desespero, apenas reforçam o exato oposto do resultado que se pretende! Senão, raciocinemos. Quando pedimos algo com uma forte dependência do resultado, estamos a reforçar a convicção, perante o Criador, que aquilo que lhe estamos a pedir, ainda não ocorreu, isto é, a necessidade ainda não foi satisfeita. Caso contrário, não estaríamos a pedir tão desesperadamente, ou seja, a implorar. Dessa forma, estamos a tornar ainda mais real, a realidade em que a doença existe.

Assim, muitas vezes, acreditamos que pedir muitas vezes ao Criador por algo, fará com que Ele atenda mais rapidamente o nosso pedido. Numa forma de pensar ainda bastante infantilizada e primária, é como se houvesse uma fila de pedidos da Humanidade para o Criador e, quanto mais vezes o mesmo pedido for feito, maior prioridade ele ganha. Infelizmente, grande ainda é o número de pessoas que mantêm uma imagem do Criador como se fosse uma figura muito antiga, antropomorfizada, de grande poder, de personalidade caprichosa e que julga os pedidos de cada ser humano como se tratasse de um director-geral de uma grande empresa. Como Jesus usou o termo familiar Pai para ensinar as pessoas daquela época que não conheciam ainda o chamado campo de energia inteligente que tudo permeia entre cada partícula subatómica, uma boa parte da população mundial ainda guarda no seu subconsciente a ideia de um arquétipo masculino velho de barbas brancas que decide individualmente o mérito de cada pedido que lhe vai chegando como se fosse uma máquina de fax. Dever-se-á ter em atenção que Deus não é uma Alma. É o Todo. Uma boa parcela da população parece, por vezes, não conseguir ainda desvincular-se da ideia de raciocinar em concreto sobre a natureza de Deus e sobre o que ou quem é Deus. Deus enquanto causa primária de todas as coisas, inteligência organizadora de tudo quanto existe, só pode ser percepcionado de forma abstracta através do sentimento de Amor. Ele é o não-manifesto que se manifesta de todas as formas que podemos percepcionar ou imaginar. É a energia pura de Amor criativo. É Consciência Pura que tudo cria com Amor porque é feito de Amor. Tudo o que Dele emana é criação com o mais puro Amor. Deus não pode deixar de criar. Ele continua a criar neste instante em que o leitor está a ler este artigo. Ele cria e sustenta toda a criação em simultâneo. A energia Dele encontra-se no espaço entre cada partícula subatómica que em conjunto com outras partículas subatómicas formam cada átomo. Se Deus parasse de criar e manter tudo quanto existe em cada nanosegundo de existência, o multiverso inteiro iria colapsar.

Deus é a consciência pura inteligente que codifica a energia através de informação. Tudo no multiverso é energia e informação. Deus cria a matéria, reduzindo a frequência de vibração das ondas de energia.

É importante compreendermos o que é o Criador para que dessa compreensão resultem resultados mais eficazes das nossas orações.

Analisando o contexto da frase de Gregg Braden, compreendemos que quanto mais avançada está a nossa consciência, mais realizados nos sentimos e, por conseguinte, mais facilmente conseguimos sentir que tudo sempre foi, é e será perfeito. À medida que a nossa consciência aumenta, o nosso poder de mudar o mundo à nossa volta também aumenta. Paradoxalmente, a nossa capacidade de aceitar o mundo tal e qual como ele é e de o amar incondicionalmente da forma como ele se encontra, faz com que a vontade ou a urgência de o mudar diminua.

Muitas vezes, recebo nas minhas terapias, clientes mães que querem mudar os seus filhos, esposas que querem mudar os seus maridos… Esse desejo de que o outro mude, esconde por vezes, a ausência de amor incondicional pelos seus filhos e maridos. Por vezes, as minhas clientes tentam mascarar essa ausência de amor e aceitação, por temor do julgamento do seu terapeuta, argumentando que apenas procuram mudar a pessoa porque  «é melhor para essa pessoa». Faço-as compreender que antes do desejo de mudar alguém próximo, tem de existir o sentimento de aceitação incondicional desse mesmo alguém. Somente depois poderá decidir se ainda vale a pena ou sequer sente a necessidade de procurar que a outra pessoa com a qual se relaciona mude algum aspecto da sua personalidade ou comportamento.

Quanto mais se foca no que não quer, mais obtém aquilo que não quer.

O leitor quando faz a oração, deverá sentir-se como se aquilo que deseja já está totalmente realizado, no fundo, como se tivesse a certeza absoluta, em termos de pensamento e sentimento, de que o seu assunto já está atendido e tratado. Isto chama-se fé. Assim, a oração deve ser realizada com alegria e desprendimento. Realizada dessa forma, bastará ao leitor pedir ao Criador apenas uma vez. Depois, entregue, solte a necessidade dos resultados e vá fazer uma coisa que goste. Não pense mais nisso. Simplesmente, entregue. Fé significa entregar ao Criador, o resultado de uma qualquer situação.

Mais uma vez, em A Matriz Divina, Gregg Braden denota que a famosa frase de Jesus a respeito de pedir algo em oração a Deus, pode ter sofrido com alguns erros de tradução ao longo do tempo sendo que uma tradução mais recente e fiável dos antigos manuscritos do Mar Morto, escritos em Aramaico seria:

«Todas as coisas que pedirdes de forma simples e directa…
a partir de dentro do Meu nome – dar-vo-las-ei. Até agora não o fizestes…
Pedi, por isso, sem motivo escondido
E rodeai-vos da vossa resposta –
Deixai-vos envolver por aquilo que desejais,
Para que a vossa satisfação seja completa»

«Rodeai-vos da vossa resposta» significa ter o sentimento de que a resposta já foi dada no momento em que o pedido é realizado. Na realidade, a resposta já foi mesmo dada em uma realidade paralela. O leitor deverá entender que existe um conjunto infinito de realidades paralelas em que tudo o que pode acontecer, já está, de facto, a acontecer. O que o leitor deve fazer na sua oração é sintonizar-se com a realidade paralela na qual aquilo que deseja é na realidade algo que está a ocorrer naquele momento. Como se sintoniza com a realidade paralela que deseja? Com o sentimento, claro está! O leitor deve sintonizar-se com uma realidade paralela alterando a sua frequência para a frequência do sentimento que teria caso estivesse a vivenciar aquela realidade que está a pedir à Fonte que Tudo É.

Pedir «sem motivo escondido» significa que se deve realizar o pedido de uma forma totalmente desprovida de julgamento em relação ao resultado. O leitor quando emite a sua oração, não deve julgar se merece ou não que o seu pedido seja atendido. Deve abster-se de qualquer julgamento em relação ao resultado daquilo que pede. Aí se encontra a grande ironia! Como pode o leitor conseguir estar num estado de não-julgamento se, em diversas vezes, estão em jogo questões extremamente pessoais como a cura da doença grave de um familiar próximo, a entrada de um filho seu na faculdade, a continuidade do seu relacionamento amoroso, a sua credibilidade no ambiente profissional, a sua permanência num determinado país de acolhimento entre diversas outras que afectam sobremaneira a sua vida pessoal? A ironia reside, precisamente, no facto de que, quanto mais desejo de algo o leitor tem, menor a capacidade que o leitor tem de manifestar essa mesma realidade. Se o leitor tiver uma doença, quanto mais desejar a sua cura, maior convicção terá de que está doente. Quanto mais se deseja curar, mais admite que está doente. Quanto mais deseja dinheiro, mais admite que não o tem. Quando mais deseja que quer ser rico, mais reforça a crença e o sentimento de que é pobre.

Imagine o leitor que é um voluntário reikiano que amorosamente se desloca a um hospital para fazer uma doação de Reiki a um dos seus pacientes. No momento em que ministra o Reiki, deverá abster-se totalmente de desejar a cura do seu paciente. A mente do leitor poderá, neste preciso instante, já estar a inquirir «Como assim? Aquilo que me faz deslocar ao hospital, é a doença do meu paciente, é o desejo de o curar». Aquilo que move o leitor não deverá ser um sentimento de tristeza e frustração por assistir ao seu paciente doente mas sim o sentimento alegre de ser testemunha do seu estado totalmente saudável ou, pelo menos, já em franca recuperação. Deverá lembrar-se de que não vai visitar uma pessoa doente mas sim testemunhar uma pessoa que está saudável. Quando estiver de pé, ministrando Reiki, inclinado sobre a cama de hospital do seu doente, a visualizar a energia de cor verde, dourada e, por vezes, violeta, emanando de suas mãos, mentalize o seu doente já totalmente recuperado e, entretenha no seu coração, sentimento de alegria e gratidão por o seu paciente já se encontrar plenamente saudável. Isso fará com que emane também formas-pensamento e formas-sentimento de um estado de saúde, vitalidade e alegria em direção ao seu paciente ao invés de lhe emanar sentimentos de preocupação, tristeza, angústia e impotência perante o seu estado.

Entende a diferença? Provavelmente, este caso poderá até parecer-lhe familiar, poderá até eventualmente conhecer alguém com quem esta situação já tenha ocorrido.

Em Marcos 11:24, está escrito:

«23 E, com toda a certeza eu vos asseguro, que se qualquer pessoa ordenar a este monte: ‘Levanta-te e lança-te no mar, e não houver dúvida em seu coração, mas crer que se realizará o que pede, assim lhe será feito’. 24 Portanto, vos afirmo: Tudo quanto em oração pedirdes, tenhais fé que já o recebestes, e assim vos sucederá.»

Novamente, no texto do evangelista, o Divino e Amado Mestre, assevera «tenhais fé que já o recebestes». É precisamente neste ponto que a vasta maioria das orações humanas, emitidas, segundo a segundo, por milhares de milhões de espíritos nas diversas dimensões do Universo, falha. A causa é a falta de fé. O leitor poderá replicar «Mas eu quando oro, tenho fé que o meu pedido será atendido no futuro por Deus. Isso não se chama de fé?».  Não. Fé não é acreditar que algo vai realizar-se no futuro. Fé é acreditar que esse algo já está realizado no presente. Isso é fé.

Vale a pena ressaltar que o mestre afirma «tenhais fé que já o recebestes». Ele não diz «tenhais fé que o ireis, no futuro, receber». Esta nuance faz toda a diferença! Não é um mero pormenor. É a diferença inteira! É a razão pela qual desde que o leitor nasceu, imensos pedidos seus ao Universo, têm demorado tanto tempo a realizar-se ou, simplesmente, nem chegaram a manifestar-se ainda.

O passado e futuro são construções mentais advindas da tendência linear com que os seres humanos processam a noção de tempo. Na realidade, aquilo que designamos de passado e futuro são meros pensamentos. São memórias passadas e projeções futuras. Apenas existe o momento presente – o eterno Agora. Por essa razão, um desejo não se pode manifestar num tempo que não existe, no caso, no futuro, dado que o futuro não existe e se trata apenas de mera construção mental. Pedir que uma coisa se realize no futuro é a mesma coisa que enviar uma encomenda internacional pelos correios, colocando como país do destinatário, um país que não existe. O que o leitor acha que vai acontecer com a encomenda? Acredita que vai chegar ao destino? Claro que não. Provavelmente, será devolvida ao remetente que a receberá de volta com sentimento de frustração. Então, porque razão, continua a fazer as suas orações para Deus num endereço temporal que não existe?

A Lei do Não Apego implica Fé. Fé implica saborear o sentimento da realização dos desejos, no momento presente, como se eles já estivessem realizados. Saborear o sentimento implica alegria e paz interior. O Homem, frequentemente, ignora o paradoxo. Ele, em geral, argumenta: «Se eu tiver realizado o desejo, aí sim, sentirei essa paz interior, essa alegria, essa satisfação. Sinto-me triste e frustrado porque o desejo ainda não se realizou». Ao sentir-se triste e frustrado, está a atrair através da frequência dessas emoções, uma realidade paralela que vibra nessa mesma frequência através da Lei da Ressonância (também chamada de Lei da Sintonia).

O leitor deverá entender que também é um co-criador dado que tem em si, a capacidade herdada da Fonte que o criou da mesma forma que a folha da árvore tem o mesmo DNA do ramo onde ela se encontra, do tronco ou da raíz dessa mesma árvore. A parte tem contida em si mesma a informação do Todo. Matematicamente, trata-se de um fractal.

Como co-criador que é, o leitor está, em cada momento, sintonizando cada realidade paralela que já existe no momento presente (e todas as possibilidades existem em potencial no momento presente) de acordo com o sentimento que está a emitir. Deus é o criador de todas as possibilidades infinitas., no fundo, um campo de potencialidade infinita de realidades paralelas. Já o leitor é aquele que sintoniza com uma dessas mesmas realidades paralelas e as colapsa através da sua atenção para a realidade em que se encontra, usando do seu livre-arbítrio.

É tão insensato manter um sentimento de frequência negativa e esperar que se manifeste uma realidade positiva quanto semear uma noz na terra e esperar que nasça uma macieira.

O sentimento de alegria e gratidão no momento presente é, portanto, a chave para, nas suas orações, obter aquilo que deseja.

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1https://hypescience.com/planeta-coberto-de-diamante-e-duas-vezes-maior-do-que-a-terra/
2Gregg Braden, antigo designer de sistemas informáticos, é autor de diversos best-sellers do New York Times. Este autor é uma de várias personalidades contemporâneas responsáveis por fazer a ponte necessária entre a Ciência e a Espiritualidade.
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