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Das Trevas para a Luz

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As trevas não são mais do que luz em menor grau. Imensos estudantes da Espiritualidade ainda concebem a realidade como sendo um campo de batalha entre a luz e as trevas em que os soldados de um lado são totalmente opostos aos soldados do outro lado. No entanto, tal não é verdade conforme se vai demonstrar em seguida. Esses soldados lutam todos num mesmo lado, numa mesma escala, embora posicionados em graus diferentes da escala.

Todo o buscador sério da Espiritualidade deverá conhecer as 7 Leis Herméticas. Entendendo a profundidade de tais Leis, o estudante poderá compreender como funciona o Universo e empreender mudanças e decisões em si que o ajudem a transitar de um grau de luz menor para um grau maior.

O Caibalion. livro que contém as 7 Leis Herméticas, contém a chave da compreensão das trevas através da Lei da Polaridade. A Lei da Polaridade postula que aquilo que chamamos opostos tais como quente e frio, luz e trevas, alto e baixo, gordo e magro, oeste e este, são apenas dois diferentes graus de uma mesma coisa. A Transmutação é uma mudança na mesma linha de polarização. Dessa forma, no que concerne à temperatura, o que é frio pode tornar-se quente, o que é trevoso pode tornar-se luminoso, o ódio pode tornar-se em amor, o medo pode tornar-se em coragem. Assim, compreendamos que trevas e luz são conceitos relativos e não absolutos.

Poder-se-á dizer que todas as pessoas são de luz pois têm, sem dúvida, qualidades positivas dentro de si tais como compaixão, amor, alegria, paz, vontade de fazer o bem entre outras mas poder-se-á também dizer que essas mesmas pessoas são de trevas pois para além dessas qualidade positivas, congregam dentro de si, qualidades negativas tais como luxúria, ócio, avareza, egoísmo e orgulho. Assim, será pueril afirmar que determinada pessoa é das trevas ou é da luz, dado que trevas e luz são apenas termos para definir dois pontos ao longo de uma escala de medida de uma mesma coisa. Um termómetro mede a temperatura e pode indicar frio ou quente conforme aquilo que se tiver arbitrado para considerar que algo é frio e algo é quente.

A Luz está em toda a parte, em todas as dimensões (planos de vibração com frequências específicas), incluindo nas dimensões de trevas, ou seja, dimensões que têm pouca luz mas ainda assim, têm Luz. Assim sendo, não existe o Mal absoluto. O que existe é luz numa quantidade muito reduzida ao longo de uma escala que mede a quantidade de luz. Assim também, os entes que vibram nas dimensões inferiores do plano espiritual também têm luz embora reduzida. Assim sendo, nem mesmo os magos negros e maiorais das Trevas que comandam milhares de falangeiros nas dimensões umbralinas, estão isentos de luz.

O símbolo do Yin e do Yang mostra exatamente isso. Na parte negra do símbolo, há um círculo branco e na parte branca há um pequeno círculo negro. Isso significa que mesmo pessoas com grande quantidade de luz ainda têm trevas para transmutar e que pessoas que têm muito pouca quantidade de luz (parte negra) ainda assim têm luz.

Como nos ensina o Caibalion, «o Bem e o Mal não são absolutos; chamamos uma extremidade da escala Bem e a outra Mal».

Apenas as coisas de uma mesma classe podem ser transmutadas noutra. Assim, pode passar-se uma sala da escuridão para a luz, acendendo uma lâmpada eléctrica, isto é, aumentando a quantidade de fotões no ambiente. Uma pessoa pode aumentar a temperatura de uma sala ligando o ar condicionado o que elevará a vibração das moléculas do ar dessa sala. Pode também transmutar um sentimento de ódio, entenda-se muito pouco amor, em mais amor por algo ou alguém. Em suma, apenas se pode transmutar as coisas de uma mesma natureza e nunca de naturezas diferentes.

Assim, por exemplo, não se pode transmutar amor em frio, quente em escuro ou gordo em alto. Apenas se pode transmutar coisas de uma mesma classe ou natureza bastando para tal variar o ponto em que essa coisa se encontra na escala para cima ou para baixo, para aquilo que arbitramos chamar positivo ou negativo.

Se afirmarmos que determinada pessoa é das trevas ou da luz, deveremos assumir um ponto de comparação. Se usarmos Jesus, Buddha ou outro ser que tenha atingido a Iluminação, como termo de comparação, então praticamente os 7680 milhões de seres humanos deste planeta serão naturalmente das trevas independentemente da sua vontade de quererem melhorar as suas qualidades morais e do seu esforço em se aperfeiçoarem nos valores mais elevados da Espiritualidade. Já se compararmos com um grande maioral das trevas que já não encarna há mais de 1000 anos e que comanda mais de um milhão de falangeiros nas dimensões inferiores do plano espiritual para participar em rituais satânicos, missas negras, sacrifícios humanos de bebés e crianças, obsidia líderes de países para iniciarem guerras geradoras de medo e sangue, aceita encomendas de trabalhos de magia negra dos mais diversos tipos, incentiva pessoas ao suicídio por meio de seus escravos entre outras barbaridades, então seria justo dizer que praticamente todos os seres humanos encarnados na Terra são da Luz, relativamente a esse maioral.

Ao considerarmos o Mal como sendo uma extremidade de uma régua e o Bem como a outra extremidade, verificaremos infinitas divisões entre as duas extremidades. Cada pessoa está contida num desses infinitos pontos desse intervalo. Deve considerar-se que esta é apenas uma aproximação dado que as extremidades desta régua seriam, na prática, inatingíveis dado que são infinitas. Assim, estar num intervalo de trevas ou num intervalo de luz é relativo. Devemos assim afastar-nos do dogmatismo das ideias pré-concebidas do que é estar em trevas ou estar em luz.

Deveremos compreendemos que na prática, em cada ser humano, enquanto houver egoísmo, orgulho, luxúria, ócio, avareza, ganância, inveja, ciúme, apego e ignorância, esse mesmo ser humano já tem trevas em si. Porém, se esse mesmo ser humano tem vontade de evoluir, de fazer o bem, de se melhorar e de aprender as Leis Universais, então esse ser humano está no caminho das trevas para a Luz.

Por vezes, afirma-se que trevas e luz não se misturam. Tal não é inteiramente verdade se considerarmos que as trevas são parte da mesma natureza de luz embora em polaridades opostas e, embora não se toquem, estão ligadas por todo um intervalo que vai de uma à outra extremidade. Devemos lembrar-nos que a Luz existe em toda a parte e em todos os seres, incluindo naqueles que consideramos bastante trevosos. Desde os planos mais elevados aos menos elevados, a Luz está em todos.

No sentido de exercitar uma das formas de mudar a vibração mental, necessitamos fixar a nossa atenção num estado mais desejável. Como informa Lourenço Prado em O Caibalion – Os três iniciados, «A Vontade dirige a Atenção, e a Atenção muda a Vibração». Daí que, na prática, quando alguém se sente triste, deprimido, rancoroso ou imerso em culpa ou qualquer outro estado mental e emocional indesejável, ao praticar Meditação, isto é, ao colocar a sua atenção de forma consciente em algo no momento presente, a sua vibração eleva-se se esse meditante foca em algo positivo. A própria oração é uma forma de meditação dado que quando a pessoa ora, ela está no momento presente, a dirigir pela força da sua Vontade, a sua Atenção para uma entidade ou energia divina tal como Jesus, Buddha, Krishna, Ganesha, Arcanjo Miguel, Ogum, Oxóssi, um ser estelar de elevada dimensão ou qualquer outra. Ao focar a sua atenção nessa energia, começa a elevar a sua vibração por indução. Dessa forma, essa pessoa estará pela Lei da Polaridade, a transmutar tristeza em alegria, amor em ódio, medo em coragem, através da atenção dirigida a uma entidade que possui as virtudes que ela deseja alcançar. Ela faz isso da mesma forma que um objeto metálico quente eleva a temperatura da água quando colocado em contacto com esta, isto é, atua por indução.

Assim se segue uma importante fórmula hermética em O Caibalion:

«Para destruir uma desagradável ordem de vibração mental, ponde em movimento o Princípio de Polaridade e concentrai-vos sobre o Pólo Oposto ao que desejais suprimir. Destruí o desagradável mudando a sua polaridade.»

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